Brasil vai deixar Chile ganhar ? Chile vive situação oposta do brasil e busca vaga na copa do mundo desesperadamente.

Em parte, o alto grau de incerteza que cerca a rodada final das Eliminatórias sul-americanas se explica por uma característica das seleções do continente: a instabilidade. Numa competição marcada por mudanças de treinadores em oito das dez seleções e gangorra na classificação, Brasil e Chile, rivais na próxima terça-feira, na Arena Palmeiras, são a imagem da oscilação.


Basta voltar ao dia 8 de outubro de 2015, rodada inaugural das eliminatórias, para perceber o tamanho do contraste com a situação atual. Quando os chilenos, então dirigidos por Jorge Sampaoli, bateram o Brasil por 2 a 0, havia euforia de um lado e depressão de outro. O Chile, então campeão da Copa América, era considerado um modelo de futebol coletivo bem jogado no continente, com um estilo definido, dificílimo de ser batido. O Brasil de Dunga parecia condenado a sofrer até o fim para conseguir uma vaga: a geração de jogadores era questionada, faltava enxergar em campo um time formado, e não havia qualquer confiança na produção da seleção.


Hoje, o Chile se vê em sérios riscos de não ir à Rússia caso perca na terça-feira, enquanto a seleção brasileira comemorou sua classificação com quatro rodadas de antecipação.

Curiosamente, a comparação entre as escalações da época e os prováveis times que entrarão em campo na terça-feira mostra uma transformação muito mais profunda no Brasil. Além de ter mudado de treinador, a seleção entrou em campo com apenas três jogadores que continuam como titulares numa formação ideal atual: Daniel Alves, Miranda e Marcelo. Este último não jogará na terça, porque foi cortado por lesão. Do meio-campo para a frente, todas as seis posições mudaram. Naquele dia, Luiz Gustavo, Elias, Willian, Oscar, Douglas Costa e Hulk começaram jogando. Cinco deles sequer têm sido chamados. Willian alterna com Philippe Coutinho pelo lado direito do setor ofensivo da equipe de Tite.

Tite conseguiu algo raro. Numa seleção que foi sofrendo uma ampla mudança de jogadores e com pouco tempo de treinamento após assumir, em setembro de 2016, montou um time.

— Eu não transformei nada sozinho. Tem uma equipe de trabalho, um grupo de jogadores. São jogadores de um nível muito alto. Tento ser justo nas escolhas — disse o treinador brasileiro. — Tenho muito orgulho de fazer parte deste grupo. O que buscamos é vencer, mas jogando de forma agressiva e bonita. Sou da escola do Telê Santana.

O Chile, ao contrário, só trocou de treinador por necessidade. Jorge Sampaoli, hoje técnico da Argentina, decidiu deixar o cargo para assumir o Sevilla, da Espanha. Contratado, Juan Antonio Pizzi manteve a base que, em 2016, voltou a ganhar uma Copa América — a do Centenário. E ainda foi vice-campeã da Copa das Confederações, em julho.

Para que se tenha uma ideia, o Chile venceu o Equador por 2 a 1, na quinta-feira, com nove titulares que também iniciaram o jogo com o Brasil, há dois anos. E talvez, no caso chileno, não ter encontrado um meio termo entre manutenção de base e renovação tenha sido o equívoco. Hoje, o Chile que chega a São Paulo tem, em sua base titular, sete jogadores com, pelo menos, 30 anos de idade.

O problema físico, que se torna mais evidente em um time que, desde a passagem de Marcelo Bielsa pelo cargo, adota um modelo de jogo baseado em intensidade e pressão no campo rival. É um modelo seguido por Sampaoli e agora por Pizzi. E o time tem sentido. Para tentar amenizar, Pizzi tirou da seleção o volante Marcelo Díaz, de 30 anos, jogador querido pela torcida, mas que não mantinha o rendimento e não foi bem na Copa das Confederações.

— Temos que incorporar jogadores pouco a pouco, para que tenham suporte de gente com mais experiência — explicou Pizzi.

Antes da viagem ao Brasil, deu o tom do drama em que se transformou a luta chilena por um lugar na Copa do Mundo.

— Não conseguimos nada. Ainda precisamos chegar à vaga e vai ser muito difícil. É difícil para qualquer time ganhar qualquer jogo neste torneio. E é claro que isso nos afeta sempre. Somos humanos, temos esperanças, ilusões, decepções. Temos que administrar tudo isso numa hora decisiva como esta — afirmou Pizzi.

 

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