Tite vê injustiça com Neymar e prepara Seleção para encarar "fantasminha"

A pouco mais de quatro meses da Copa do Mundo, Tite divide sua programação entre observar os cerca de 15 jogadores que já se garantiram nela, e um outro enorme leque de opções para fechar as vagas restantes. Ele também traça estratégias para os amistosos de março, contra Rússia (dia 23) e Alemanha (dia 27), últimos antes de convocar a seleção brasileira para o Mundial.

Nessa entrevista ao GloboEsporte.com, o técnico analisou sua equipe, comentou o que considera uma injustiça ocorrida com seu principal jogador, Neymar, e chamou de "fantasminha" a Alemanha, com quem o Brasil vai confrontar pela primeira vez desde o fatídico 7x1 de 2014.

Leia a íntegra:

Numa entrevista recente, o Xavi, campeão do mundo em 2010 pela Espanha, disse que o Brasil é um dos favoritos na Copa por unir dois aspectos difíceis: físico e talento. Você acha que sua equipe é predominantemente física ou talentosa?
Quando ele se refere ao físico, é sobre uma equipe móvel, de estrutura física ágil, com rapidez de raciocínio e execução. Coutinho, Willian, Gabriel Jesus, Neymar, Douglas Costa, Taison, eles pensam e executam rápido, o último setor do campo tem essa característica marcante. E há outros de construção, sem tanta velocidade, como Marcelo e Dani, algo mais posicional dos dois meio-campistas. Mas a base que mais me fascina é essa mobilidade aliada à capacidade física para responder à inteligência, ao pensamento.

Quando pessoas como Xavi, Jorge Sampaoli (técnico da Argentina) e Joachim Löw (técnico da Alemanha) começam a ter o Brasil nessa estima, isso é bom ou ruim para a Seleção?
Não sei se é bom ou ruim, mas é verdade. E quando é verdade temos que encarar. Não posso ser o falso humilde nem ter soberba e ostentação. É uma equipe que está buscando consolidação, ainda tem a crescer até mentalmente, e nossos dois adversários de março vão nos proporcionar isso, principalmente a Alemanha. Vamos enfrentar nosso fantasminha. Temos que jogar com naturalidade, sem ostentação e sem falsa humildade.

Hoje, sua preparação tem foco nos amistosos de março, na Copa do Mundo, ou ela é uma só?
Estão num estágio de fusão. Antes era especificamente para os amistosos, agora há uma abrangência maior, uma projeção. As conversas, trocas de informações nos levam a um degrau acima na escada. Há esse componente ligado à performance, ao desempenho e ao merecimento nos amistosos, mas já pensando na formação do grupo e da equipe para o Mundial.

Ainda há espaço e tempo para algum jogador entrar nos seus planos da Copa? Os amistosos poderão propiciar uma chance a um novo convocado ou você já pretende ter tudo fechado?
Pego o exemplo do Gabriel Jesus, um cara que estava pedindo espaço e mostrando suas virtudes. Ninguém pode dizer que não haja outro se afirmando da mesma forma. Pode ser um mais experiente como o Hernanes e o Diego, ou um mais jovem como o Arthur. Não posso pré-conceber, fechar os olhos, não vou fazer isso. As pessoas colocavam dúvidas sobre quem ia começar como 9 lá no nosso primeiro jogo (contra o Equador, em agosto de 2016), mas nunca, ninguém da comissão técnica tinha dúvidas de que seria o Gabriel Jesus. Se você falar com todos, todos eram unânimes em função da qualidade, do senso competitivo, da capacidade de finalização.

Você está convicto de que o Gabriel Jesus vai disputar os amistosos de março?
Otimista sim, convicto não, porque ele precisa de todas as etapas de recuperação. Sei do grande clube em que ele está, dos cuidados para manter os estágios e não pular etapas. O doutor Rodrigo Lasmar (médico da Seleção) está fazendo acompanhamento clínico, o Fábio (Mahseredjian, preparador físico) o físico, e agradeço às equipes que estão se abrindo a isso. O Fábio esteve essa semana no São Paulo e no Palmeiras, e todos nos municiaram de informações: peso, percentual de gordura. O Matheus (Bachi, auxiliar-técnico) conversou com o Roger (Machado, técnico do Palmeiras), o Dorival (Júnior, técnico do São Paulo), o Lucas (Silvestre, auxiliar de Dorival), para termos informações de todos. É nossa obrigação fazer esse acompanhamento para que o atleta esteja bem lá na frente. Não há como deixá-los bem lá na frente, seria mágica. Se não monitorarmos antes, não chegarão bem. Os atletas sabem disso.

E pelas informações que vocês recebem, os atletas estão se cuidando, se preparando bem?
Sim, todos eles sabem. Falamos com alguns de forma individual, e reiterei pessoalmente em nossas reuniões que estivessem nas melhores condições nos clubes porque nós buscaríamos todas as informações. E não pensem que vão nos esconder alguma informação. Não há traíra nos clubes, mas queremos o melhor de cada um e que entreguem o melhor aos clubes. Isso é lealdade.

Quantos jogadores você tem garantidos na Copa do Mundo?
Tenho variado entre 15, 17 e 18. Pelo desempenho nos clubes e na Seleção, pela base da equipe que tem jogado. Se eu convocasse os que mais atuaram, e atuaram bem, eu teria três laterais-esquerdos. Os três (Marcelo, Filipe Luís e Alex Sandro) jogaram bem. E falar de Thiago Silva, Fernandinho, Willian, todos jogando em altíssimo nível. O Ederson quando jogou, jogou muito. São os que já encaminharam essa situação.

 
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