Rio de Janeiro é a segunda maior região com domicílios digitalizados do País, 4,5 milhões

Cerca de 30 mil kits gratuitos da TV digital já foram distribuídos após o desligamento do sinal analógico no dia 22 de novembro

 

O sinal analógico de TV foi desligado no Rio de Janeiro e em outros 18 municípios do entorno no dia 22 de novembro e agora só é possível assistir à programação da TV aberta por meio do sinal digital. O acontecimento histórico é fruto de uma união de esforços entre a Seja Digital, entidade não governamental e sem fins lucrativos, responsável por operacionalizar a migração do sinal de TV no Brasil, e uma série de parceiros que mobilizaram instaladores, voluntários, ONGs, prefeituras, lideranças comunitárias e a população com objetivo de oferecer mais qualidade de som e imagem na televisão de todos.  Assim como a grande quantidade de kits, mais de 1,2 milhão disponíveis para as famílias de baixa renda, as 19 cidades que compõem a região do Rio de Janeiro trazem outros grandes números: são mais de 4,5 milhões de domicílios com mais de 12 milhões de pessoas. Números que tornam a região como a segunda maior já trabalhada pela Seja Digital, perdendo apenas para a região metropolitana de São Paulo.

 

Segundo Vivian Bilhim, gerente regional da Seja Digital, uma das ações mais relevantes da entidade foi a proximidade com as comunidades: “A missão da Seja Digital era não deixar ninguém para trás e para cumpri-la fizemos um verdadeiro mergulho nas comunidades. Entendemos que a melhor forma de levar à informação às pessoas era dialogando diretamente com elas. Por meio de ações como as Caravanas nas Escolas, mutirões de instalação e as mais de 300 mil visitas feitas pelos mobilizadores, alcançamos nosso objetivo”, disse Vivian. 

 

As visitas domiciliares fizeram parte de uma ação chamada “Busca Ativa”, em que agentes da Seja Digital batiam de porta em porta tirando dúvidas e alertando moradores sobre o desligamento do sinal analógico de TV. Além disso, o trabalho contou com mais de 1,9 mil voluntários, 3,3 mil instaladores capacitados para atender quem precisava de ajuda na instalação dos equipamentos e mais de 1,2 mil servidores e agentes comunitários de saúde e epidemiologia capacitados para levar informação aos moradores de diversas localidades.

 

Ao todo, foram mais de 700 ações em comunidades. A antenista Bárbara Rosa, responsável por algumas das mais de 64 mil instalações de antenas digitais e conversores realizadas nos mutirões, classifica como enriquecedora a experiência de levar o sinal da TV digital a muitas famílias que vivem em áreas de risco ou com sérias dificuldades financeiras: “Fomos até o alto de morros e entramos em muitas casas para ajudar pessoas bastante humildes. Assim que terminávamos o serviço gratuito, as pessoas já viam suas TVs com imagem e som em melhor qualidade e era só alegria”, disse Bárbara.

 

Durante os últimos cinco meses, a Seja Digital também beneficiou mais de 1,1 milhão de famílias de baixa renda atendidas pelo Governo Federal, que retiraram gratuitamente kits com antena digital e conversor. Mesmo após o desligamento do sinal analógico, em 22 de novembro, a Seja Digital deu prosseguimento a sua missão de não deixar ninguém para trás e já distribuiu cerca de 30 mil kits desde então. Com 71 anos, a aposentada Martha Mendes Sales, mais conhecida como Dona Martha, moradora da Tijuca, disse que o kit da TV digital transformou sua sala de estar em uma sala de cinema. “Foi tudo muito simples, desde o agendamento para a retirada do kit até a instalação do conversor e da antena, que meu filho fez rapidinho. Agora todo mundo aqui, eu, meu esposo, minha filha e minha neta vemos novelas, telejornais e futebol em alta definição”, comentou Dona Martha.

 

Muitas pessoas trabalharam para que a distribuição acontecesse de forma eficiente nos 19 municípios cariocas. Leandro Germano, agente de atendimento da Seja Digital, trabalhou desde o início do projeto no ponto de retirada de kits da Rua do Senado, no Centro do Rio, como agente de atendimento. Para ele, receber as pessoas de diversas áreas da cidade era uma das melhores partes do trabalho. “Como trabalhava como instrutor de instalação, eu atendia os beneficiários depois que eles recebiam o kit. As pessoas chegavam com um sorriso no rosto, satisfeitas com a rapidez do atendimento e com o produto de qualidade que haviam recebido gratuitamente, e minha função era explicar a elas como esse produto funcionava. Grande parte delas também tirava dúvidas, fazia comentários, e isso só tornava a rotina de trabalho ainda melhor. Foi uma experiência maravilhosa”, afirmou Leandro.

 

Embora a antena e o conversor distribuídos gratuitamente permitam que as televisões mais antigas recebam o sinal digital, a Seja Digital ofereceu soluções sustentáveis para quem optou por descartar seu aparelho por algum motivo. Ações como mutirões de descarte em 162 pontos de coleta de lixo eletrônico espalhados pelos 19 municípios e uma gincana entre escolas recolheram 14.677 aparelhos televisores e mais de 180 toneladas de lixo eletrônico. 

 

Sinal digital para todos

Além de oferecer os kits digitais para as famílias de baixa renda, a Seja Digital também realizou doações de antenas e conversores para algumas instituições como asilos, creches e hospitais. Um dos locais escolhidos foi o Instituto Benjamin Constant, centro de referência nacional na área de deficiência visual, localizado no bairro da Urca, na zona sul do Rio. Além da qualidade de imagem e som, o sinal digital também tem como uma de suas vantagens a disponibilidade de recursos inclusivos como a áudio-descrição para cegos e a legenda oculta para surdos. Para Rosa de Menezes Pereira, Diretora do Departamento de Estudos de Pesquisa Médica e Reabilitação, a doação dos kits foi primordial. “Os professores e alunos do Instituto gostaram muito da doação feita pela Seja Digital principalmente pela facilidade de acesso à áudio-descrição. Como todo brasileiro, as pessoas aqui gostam muito de TV”, agradeceu Rosa.

 

E para facilitar o acesso da população aos equipamentos, a Seja Digital, em parceria com comércio local, organizou 144 Feirões Digitais em praças, calçadões e shoppings espalhados por diversas áreas do Rio. No evento, além de encontrar aparelhos de televisão digital e conversores a preços mais acessíveis, também era possível tirar dúvidas sobre o desligamento do sinal analógico de TV com os promotores da Seja Digital e realizar o agendamento para retirada do kit gratuito. Mais de 300 mil antenas digitais e conversores foram comercializados no total.

 

No dia 22 de novembro, o grupo Gired decidiu pelo desligamento total do sinal analógico em 19 municípios do Rio de Janeiro depois de apresentação da pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência que aferiu que 96% da população desta região continuaria assistindo TV mesmo após o desligamento do sinal analógico. Desde então, os moradores de Rio de Janeiro, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Maricá, Seropédica, Queimados, Mesquita, Niterói, Petrópolis, São João de Meriti, Magé, Guapimirim, Nilópolis, Belford Roxo, Japeri e Tanguá contam com o sinal de TV aberta 100% digital.

Sobre a Seja Digital

A Seja Digital (EAD - Entidade Administradora da Digitalização de Canais TV e RTV) é a instituição responsável por operacionalizar a migração do sinal analógico para o sinal digital da televisão no Brasil. Criada por determinação da Anatel, tem como missão garantir que a população tenha acesso à TV Digital, oferecendo suporte didático, desenvolvendo campanhas de comunicação e mobilização social e distribuindo kits para TV digital para as famílias cadastradas em programas sociais do Governo Federal. Também tem como objetivos aferir a adoção do sinal de TV digital, remanejar os canais nas frequências e garantir a convivência sem interferência dos sinais da TV e 4G após o desligamento do sinal analógico. Esse processo teve início em abril de 2015 e, de acordo com cronograma definido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mais de 1300 municípios terão o sinal analógico desligado até 2018.

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